O Autor

Como tudo começou… 22.06.09

“Comecei a escrever este livro em meados de junho de 2009. No fundo, tudo começou com um texto de e-mail, que tinha escrito, após um “quase” acidente que vivi chegando ao trabalho. Me recordo, que quando me sentei no local que ocupava para desenvolver minhas atividades, ainda estava apático. A única coisa que fiz, foi escrever para desabafar e contar a alguém o que me tinha acontecido. Mas as demandas do dia, me tomaram, e o e-mail, não chegou a ser enviado para ninguém.

Meses depois, visitando a pasta rascunho do meu outlook – programa de correio eletrônico do Windows, achei o texto. Na hora, chovia, típica chuva de inverno. No trabalho eu me sentava próximo a uma grande janela – janela que me inspirou a construir o cenário do apartamento em que o personagem Pedro se muda no capítulo final. Sentado ali, eu via a água escorrer pelo vidro da janela e cada gota me inspirava. Posso dizer que tudo começou ali…

Abri o e-mail, e quando li senti um arrepio, aquele texto havia mexido comigo. Ao ler vivenciei tudo novamente, cada segundo passou novamente pela minha cabeça. Acredito, que algo me dizia que não era um simples descuido atravessar a rua distraído. Naquele momento, eu percebi que faltava descrever mais coisas para fazerem algum sentido. E comecei a melhorar o primário texto. Embora publicitário, nunca fui bom em ortografia ou gramática, vírgula então, descobri que não sei usá-las. Entretanto, sempre soube usar as palavras nos lugares certos, mas como escrever algo de maior proporção se nunca tinha feito isto? Esta dúvida foi simples – eu escrevia mesmo assim.

Aos quinze anos de idade, minha professora de português me chamou a atenção pelas minhas notas baixas em sua matéria. Disse que se eu não melhorasse eu seria reprovado. Embora não gostasse dela e nem de seu estilo didático, que quando falava suas palavras entravam por um ouvido e saiam por outro. Nada fazia sentido e até hoje muitas coisas de português não fazem… Regras e exceções… Mas atenciosa me intimou a participar do clube da leitora do colégio, pois o mesmo estava preparando um concurso para premiar as melhores histórias juvenis. Eu nem sei porque comecei a escrever, não tinha o hábito de ler livro, adorava gibis, “X-Men”, Turma da Mônica… Autores não tenho preferidos, aliás sempre esqueço os nomes dos autores dos livros que leio (ironia não?). Já com quatorze anos, eu comecei a ler as obras de J.R.R. Tolkien. Sou fã dele e toda a sua literatura. Viajava lendo todos aqueles personagens e detalhes… Acho que por isso eu vivia fantasiando coisas, então se eu tinha a criatividade por que não tentar?! Aceitei o desafio e escrevi tudo a mão, não tinha máquina para datilografar. Não demorei muito a escrever, embora poucas eu considerava muita. Escrevi vinte e cinco páginas em menos de uma semana. A capa me recordo que desenhei a lápis. A professora, teve o cuidadoso trabalho de datilografar tudo e melhorar a ortografia.

Semanas se passaram após eu ter entregue o texto. E nem mais lembrava do que tinha escrito. Até que um dia, fui chamado na diretoria e informado que deveria estar no dia seguinte num evento que reuniria algumas escolas concorrentes para decidirem os melhores textos.

Eu fui sozinho, confesso que não estava muito animado. Não conhecia ninguém e nem minha professora estava lá, apenas a diretora que só percebi sua presença quando foi chamada ao palco para ler um resumo da vida dos participantes de sua unidade escolar. Ou seja, a minha. Nada acontecia, e a hora passava. Eu não prestava atenção em muita coisa, sozinho me contentava em olhar pela janela e ver o dia bonito. De fato, queria estar na praia naquele momento, mas morando longe teria que me contentar com o calor daquele auditório de apenas dois ventiladores de teto funcionando. Perto do meio dia, uma pedagoga sobre ao palco e anuncia finalmente os ganhadores, primeiro, segundo e terceiro lugar. A premiação começa e meu nome nem havia sido chamado ainda. Até que, depois de duas alunas serem premiadas, anunciam o nome do meu trabalho e sem seguida o meu nome…

Quinze anos se passaram, e isto ficou no passado, perdido em algum lugar da casa de meus pais. No momento em que achei o texto que eu tinha escrito no trabalho, numa manhã fria e chuvosa, acredito que esta veia surgiu novamente… Escrevi uma página naquela tarde, resolvi contar detalhe do que tinha acontecido, coloquei todos os fatores que levaram-me até aquele momento. Mas e o motorista? Ele precisava ter sua parte na história. Seis horas da tarde marcou no relógio, hora de ir embora, e a vontade!? Eu estava empolgado com aquele texto. Não tinha feito nada mais do que pensar naquelas emoções e de fato, e criar umas fantasia para deixar mais emocionante.

Na manhã seguinte, peguei novamente no texto, como tinha escrito bem, mas com diversos erros de datilografia por conta da pressa e de ter o péssimo hábito de não ler o que eu escrevo. Pois sempre que faço isso a ideia se perde, porque fico preocupado em ajustar o texto, formatar, achar sinônimos… Outro ponto é a leitura dinâmica, pois leio e nem sempre vejo erros, pois meu cérebro já deduz as frases. Eu não sabia o que aquele texto iria representar no futuro, mas sabia que era algo que faria diferença. Assim que minha colega de trabalho chegou e sentou na mesa ao meu lado, eu a abordei e pedi para ela ler a página recém impressa. Surpresa! Ela amou e na hora perguntou se eu tinha feito a continuação… Assim foi, eu escrevia, ela ia lendo. O barulho das pessoas falando, o telefone tocando, tudo ao meu redor me tiravam a concentração. Peguei na mochila algo que faria a diferença na minha escrita, e que, será percebido por aqueles mais apreciadores de música. Coloquei meus fones de ouvido, e na procura da melodia perfeita absorvia aquelas emoções.

De fato, queria que o livro estivesse pronto logo nas semanas seguintes, mas precisava tomar uma decisão. A história, até então com dez páginas, seria conduzida a partir dali ou eu escreveria como tudo aquilo começou?! Eu escolhi o mais difícil. Fui escrevendo de trás para frente. A cada capítulo, a cada emoção eu me envolvia, tive que ser cada um dos personagens, tive que chorar como eles, falar como eles, sentir raiva como eles… Confesso que me perdi um pouco, entre quem eu era, e quem eram os personagens. Embora tenha sido uma experiência sem palavras vivenciar aquelas emoções,fez me redescobrir e dar veracidade. Acho que algumas pessoas me acharam louco…

Meus amigos, quando leram alguns trechos do livro, acharam muito reais, logo pensaram que eu poderia estar me inspirando neles e ficaram receosos disto. Foi difícil conseguir mostrar que eu não estava interessado em suas histórias, mas sim, em suas emoções. A cada compartilhamento de histórias eu conseguia vivenciar os fatos narrados por meus amigos. A maneira como eles me contavam, me deixavam arrepiado. Eu a qualquer momento do dia, não importava o local, escrevia tudo que vinha à minha mente. As vezes nem conseguia entender depois o que tinha anotado, porém estava registrado a ideia. O tempo foi passando, a cada final de semana um novo livro impresso na impressora de casa. Eu dobrava, montava as páginas, colocava cada caderno. Queria ter a sensação do livro pronto em mãos.

Passava o sábado inteiro lendo, e claro, alterando. Li, reli, alterei, mexi, substituí. Nunca estava satisfeito. As pessoas ao meu redor, ficavam curiosas com o que eu contava do processo, uma espécie de “demo” e acho também, que ficavam irritadas porque eu não conseguia praticar o “let it go” e deixar o livro ser um livro afinal. Eu não sentia que ele estava pronto e por isso eu não entrega a editora. A cada situação eu ia adicionando contextos, reparei nas relações entre as pessoas e descobri um grande mote para o livro – a mentira. Qual seria a pior coisa que poderíamos carregar, que não fosse um segredo baseado numa mentira? Passei a acreditar que ela, era muito mais complexa e normal do que costumava pensar. “Estou com saudades” – se tem meu número, por que não me liga para matá-la. “Você não está gorda ou gordo” – Como é possível a balançar mentir? Essas “mentirinhas” do dia a dia, que convivem conosco. Entretanto, a pior mentira é aquela que criamos dentro de nós. Fala sobre esta mentira num romance sem que o narrador pudesse pontuar diretamente interferindo na leitura era a grande descoberta e o desafio…

A cada madrugada, finais de semanas em casa, dias inteiros focado em deixar a trama coesa. Nunca quis que houvesse um mocinho ou um vilão, mas em algumas leituras, eu sentia que estava protegendo um ou outro personagem. Meu propósito, era colocar todos os leitores dentro da história, e isso foi o mais difícil. Queria que fosse um bate papo, alguém contando uma história com detalhes. Desejava fazer o leitor sentir aquela emoção, certa ou errada, só dependeria de sua própria experiência julgar. Nem Pedro, nem Marcos, são vilões, acredito que eles sejam os grandes anfitriões de um espectáculo circense da vida. Usei elementos reais para criar uma fantasia. Você provavelmente vai ler e comentar: “Eu já vivi isso”, ou “Conheço alguém que já passou por isso”, ou “Eu conheço essa pessoa que ele se refere”. Porém, cuidado para não se enganar e mentir para você mesmo. As referências de comportamento, são e sempre serão as mesmas, mediante isto, peço que construa a história como ela pretendeu ser: Sublime e intensa.

Escrever, alterar, trocar, novas ideias, antigas fantasias… Nunca achava que o livro estava pronto, sentia que ainda tinha muito o que ser feito. A cada manuscrito que recebia da editora, era mais uma jornada. Peças não se encaixavam, nomes não batiam, motivos não justificavam os fatos. Com isso, mais complementos viam…

Muitas vezes, me senti um grande costureiro, tive que alinhavar todos os capítulos, e alguns podem ter ficado maiores ou um pouco chato. Se isso acontecer, não desista! A cada página vencida, prometo mais surpresas e complexidades. Ah! Se eu não conseguir suprir suas dúvidas sobre a história, fique ciente que foi de propósito, afinal temos a continuação nos outros dois livros… Embora a ficção seja repleta de partes apaixonantes, intrigas entre amigos, brigas, mentiras e claro, as cenas cômica da ex-modelo de passarela Nina Maria e sua rival Julie (Elas são reais mesmo, os únicos personagens reais do livro) – o livro foi atrasado seis meses por conta de ter tido a ideia de colocar elas na trama – dão um tom totalmente realista, o que faz prender a atenção dos leitores.

Prestes a imprimir o livro, a editora me enviou o catálogo catalográfico da biblioteca nacional. Nele constavam todas as informações pertinentes ao registro e idenficação da obra. Para minha surpresa o livro havia sido categorizado como “homossexualimo”. Embora não tenha me importado com isso, mas no fundo queria entender e questionei a editora: “Se o livro tivesse um personagem com câncer ou tivesse pego um carro em alto velocidade, o meu livro seria classificado como aventura ou saúde?”. A editora concordou comigo e o livro foi reclassificado como romance. Não acredito que devesse enquadrar ou segregar isso ou aquilo. Meu livro sim narra a vida de homens que se relacionam, se apaixonam e sentem o peso da vida nas costas – logo um romance. Tão natural como, Aladin e Jasmine ou a Bela e a Fera. Minha irmã mais velha, quando leu o primeiro rascunho do livro, me disse uma coisa muito importante, e que me ajudou a defender essa tese:

“_ Você gostou do livro?” “_ Sim, achei muito real e participativo.” “_ Não estranhou que o livro usa o cenário gay e que os personagens principais sejam homens e tenham uma relação?” “_ Não. Achei normal. A escrita não me induziu a criar um estereótipo. Algumas vezes vivenciei com eles os mesmos problemas que tive com meus namorados.”

Rótulos foram dispensados. Ainda, recebi em forma de perguntas, se “MSOT” tinha algo a ver com um outro livro com esta temática. Embora eu não tenha lido nada sobre esta literatura, ficaria honrado em participar de um projeto como este junto com outro autor, porém no futuro. “MSOT” não tem relação nenhuma com qualquer outro livro, exceto a palavra travesseiro. Hétero, gay, casado, solteiros, jovens, maduros… qualquer um pode se identificar. Mentiras Sobre O Travesseiro é a lúdica da sua consciência que existe dentro de sua cabeça apoiada no macio item de sua cama na hora de dormir. Quero levar os leitores a pensarem se realmente não há uma maneira da transparência e sinceridade voltar a moda nas relações…

Enfim… dois anos se passaram, e finalmente ele – o livro, está pronto. Sinto que consegui concretizar este sonho. Agora pretendo focar no segundo e terceiro, que estão no rascunho do meu outlook…” – Raphael Mello.

Raphael Mello – 21/06/11.

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